IMG_20190222_101731.jpg

Loureiro

LOUREIRO

"Neste ano em que Portugal comemora 850 anos da sua independência de jure, encerram-se mil anos do mais antigo documento conservado, pois que outros indubitavelmente existiram"

“...IN VILLA LAURARIO QUI EST INTER VILA TANUZ ET MANZANARIA

SUPTUS KASTRO REKAREDI TERITORIO PORTUGALENSE..."

"Nodum die uel tempore sub die quod erit XV kalendas iuni. Era XXXIa post Milesima..."

(... 15 das calendas de junho da era de César de 1031, correspondente a 18 de maio de 993 na nossa era.)

É mais que milenário o nosso passado, sendo o documento de há mil anos exatos, apenas o mais antigo que se conservou, pois que outros, indubitavelmente, existiram.

Junta de Freguesia de Loureiro, 18 de maio de 1993

Loureiro é uma das dezanove freguesias que compõem o Concelho de Oliveira de Azeméis, situada a 7 quilómetros a sul da cidade e distando 40 quilómetros de Aveiro e do Porto.

Situando-se numa extensa planície com 2.100 hectares de área, aqui se desenvolvem, harmoniosamente, modernas explorações agrícolas, um comércio dinâmico e modernas indústrias dos mais diversos ramos.

As suas principais vias de acesso são a EN 224, que atravessa a freguesia de Norte a Sul, e a Auto Estrada Porto-Lisboa, cujo nó de acesso se situa no extremo sul, a 3 quilómetros do centro da freguesia. A nível de rede viária, a freguesia está servida por uma extensa rede viária que abrange toda a sua área geográfica.

Em livro editado no âmbito das comemorações do milénio de Loureiro, da autoria do historiador Dr. A. de Almeida Fernandes, que se junta neste processo, refere-se:

"Hoje, Loureiro é o nome da área ou extensão de toda a freguesia, tendo-se dado aqui aquilo que por toda a parte sucedeu: ereta uma igreja num local , ficava ela a designar-se pelo nome do santo titular, neste caso, São João (o Baptista) , e pelo do local (neste caso, Loureiro, nome que, na origem, era adjetivo: terreno "loureiro ou locus laurarius", onde abundava o louro), dai "SÃO JOÃO DE LOUREIRO". Criada a paróquia, que foi uma das mais antigas da Terra de Santa Maria, aquela designação estendeu-se por toda a sua extensão, e assim LOUREIRO deixou de ser apenas nome de um local restrito.

São inúmeras as referências históricas que se conhecem, sendo a mais antiga datada de 18 de Maio de 993 ( 15 de Junho de 1031 da era de César) e trata-se de uma escritura de venda celebrada no cartório do mosteiro de Moreira, entre Douro e Ave litoral (hoje, Moreira da Maia) , de que se junta fotocópia no original;

Este documento de há mil anos prova o que, sem ele, mal se suporia: quanto ele é antigo, e mais, que já designava uma extensão demo-agrária, agrícola e populacional ou, digamos, uma "villa" (não municipal, claro), a "VILLA LAURARIO" .

É, pois, mais que milenar a história de Loureiro, sendo este documento de há mil anos exatos, apenas o mais antigo que se conservou, pois que outros, indubitavelmente, existem.

A Igreja atual, cuja construção data de 1925, substitui a anterior, de 1673, cuja capela mor visigótica era, segundo a tradição, a antiga "Capela" de São João (ou uma “basílica" visigótica, como refere o texto do Dr. Almeida Fernandes).

Terá sido aqui que "pousou" o rei D. Afonso III quando fez Afonso Ribeiro clérigo dessa Igreja.

De Loureiro, foi natural D. Frei Caetano Brandão, que nasceu no lugar da Igreja, em 11 de Setembro de 1740, em casa ainda hoje conservada, para a qual se projeta o futuro museu de Loureiro.

Filho do sargento mor de ordenanças, Tomé Pacheco da Cunha, e sua mulher, D. Maria Josefa da Cruz, este ilustre Franciscano, catedrático em teologia, foi Bispo do Pará, de 1782 a 1789, e, depois, Arcebispo de Braga, onde faleceu a 15 de dezembro de 1805, tendo deixado vasta obra de beneficência e desenvolvimento em ambas as cidades.

Falar de D. Frei Caetano Brandão é homenagear, ao mais alto nível, o espírito loureirense que, não se podendo confinar aos estreitos limites do seu berço geográfico, foi semeando luz e riqueza pelos quatro cantos do universo.

A freguesia presta homenagem a este insigne loureirense em busto erigido no adro da Igreja Matriz.

Em Loureiro, nasceu, a 7/10/1889, o Dr. Albino dos Reis, político que exerceu elevados cargos na vida pública; foi presidente de Câmara Municipal, Governador Civil, Ministro do Interior, Deputado, presidente do Supremo Tribunal Administrativo, presidente da Assembleia Nacional e Membro Vitalício do Conselho de Estado.

Foi homenageado ainda em vida, em busto erigido no centro da Praça de N. Srª. de Alumieira.

Também desta freguesia foi natural o Cónego Leite Rainho. Nascido a 30/11/1921, veio a falecer precocemente em acidente de viação a 2/12/1961. Orador e conferencista notável, deixou à posteridade duas obras publicadas de reconhecido valor, para além de inúmeros artigos publicados.

Leite Rainho foi a individualidade portuguesa que mais tempo e atenção prestou ao estudo das modernas filosofias do concreto e, por proximidade, do existencialismo.

Este insigne loureirense, ordenado sacerdote em 1944, licenciou-se em filosofia pela Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, com a classificação "cum laude probatus"; jubilado pela Faculdade de Filosofia de Universidade Católica de Toulouse, com a honrosa e distinta classificação de "magna cum laudo".

Das primitivas atividades agrícola e molineira, já referidas no documento milenar, a freguesia há muito que evoluiu, sabendo manter as suas tradições, e, ao mesmo tempo, acompanhar o progresso.

Disso são exemplo o moderno centro cívico da freguesia, a Praça de N.  Sra. de Alumieira, onde se homenageiam os muitos emigrantes desta terra, em busto erigido em 1967; o mesmo se pode dizer do facto de existir iluminação publica extensiva a toda a rede viária da freguesia, já de há anos, e muito antes ainda de tal verificar em muitas vilas.

Também aqui se realiza, anualmente desde tempos remotos, a “feira dos perdões", embrião do atual mercado semanal, ainda hoje local de transações.

Aqui se desenvolvem inúmeras indústrias, de que destacamos, pela sua importância a nível nacional, a indústria de maquinaria agrícola e as indústrias agro-alimentares (transformação de arroz e peixe congelado), que se colocam como das maiores nos respectivos sectores; existem também outras, nomeadamente de moldes para plásticos, inox, plásticos, serração de madeiras, mobiliário, padarias, transportes de mercadorias, serralharias e carpintarias.

A nível comercial, existem estabelecimentos de stands e oficinas de automóveis e máquinas agrícolas, cafés, pastelarias, talhos, drogarias, mobiliário, supermercados, livrarias, etc.

 

documento gentilmente cedido

pelo Dr. Isidro Figueiredo